16 janeiro 2011

Ah! Ai Também Não Né...


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AH! AI TAMBÉM NÃO NÉ...

Queriam muito fazer uma viagem, não pretendiam sair do Brasil, queriam apenas curtir um pequeno passeio para comemorarem o noivado. Pensaram em ir para Salvador, mas acharam que Recife seria o melhor destino.
Márcio e Simone estavam juntos a cerca de seis anos e acabaram de noivar. Trabalhavam ambos na cidade mais rica do país, no entanto, em empresas diferentes. Ela era gerente de loja e ele, um técnico em informática.
Não agradava a eles aquele sotaque carregado dos pernambucanos e isso não significa que os odiavam, mas diziam para si próprios que jamais namorariam alguém de lá. Primeiramente, achavam o sotaque estranho e tinham vergonha só de pensar o que familiares ou amigos pensariam – não que eles dissessem alguma coisa – e acreditavam que a maioria dos nordestinos eram mesmo pessoas sem um grande conhecimento.
Com tudo pronto para a viagem, foram até o aeroporto, e sem entenderem muito a logística daquele estabelecimento custaram a se localizarem e saberem o que e como tinham que fazer.
Fizeram um pacote turístico de quatro mil reais e estavam levando cerca de dois mil com eles. Ficariam sete dias e conheceriam algumas praias do litoral pernambucano. Estava incluso no pacote uma pousada de frente para o mar.
Um lugar espetacularmente lindo. Praias de areais bancas e água azul, algumas até transparente. Diferente de muitas praias no estado onde moravam; areia amarronzada e água quase sempre escura. Recife era mesmo um paraíso, só percebiam o contrario quando algum conterrâneo abria a boca para oferecer lembrancinhas, comes e bebes ou quando ouviam aquele “oxente” carregado.
Pagaram cerca de dez reais em uma pequena porção de caranguejo na praia e acharam barato até. Contudo, desconheciam o árduo trabalho feito pelos homens no mangue. Sabiam que era no mangue onde se achava os caranguejos, mas não tinham ideia das dificuldades e dos riscos de se trabalhar no manguezal e ignoravam também o preço recebido pelo trabalho feito. Realmente não sabiam que os trabalhadores do mangue tinham uma jornada longa e depois de um dia inteiro, muitas vezes, conseguiam poucos crustáceos que eram comprados, principalmente, por donos de pousadas pelo valor de um real quatro caranguejos.
Adoraram ficar uma semana em Recife, e já pensavam em voltar em breve. Tinham agora, curiosidade em conhecer o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Dizem que as praias do Ceará são realmente divinas.
Estavam de volta à grande metrópole depois de uma semana de puro descanso, vistas maravilhosas, culinárias, bebidas, fotos e transas bem safadas no quarto da pousada.
Foram recebidos com saudade por seus familiares e amigos próximos que, curiosos, perguntavam como foi o passeio e como era Recife.
_ Nossa, um lugar maravilhoso. Não tem palavras. Até conhecemos o mangue, passamos bem perto de barco, lugar lindo e muito misterioso, só é ruim os homens que trabalham lá, ficam na lama o tempo todo. Eu só não entendo como um lugar tão lindo e gostoso como aquele e ainda tem pessoas querendo vir pra cá. – Contou Simone.
Uma expressão engraçada foi notável no rosto de poucos amigos do casal e um rapaz retrucou rindo.
_ Pois é, acho que da próxima vez, vocês poderiam ficar sete dias no meio do sertão não acham? Ele também tem suas belezas.
Márcio riu e logo depois respondeu:
_ Ah, ai também não né...

Samir S. Souza
Publicado no Recanto das Letras em 16/01/2011
Código do texto: T2732818



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2 comentários:

ah! ai também não né... [risos] Ótima lição que nos deu. É muito facil falar sem conhecer né? Parabéns.

kkkkkk no sertão ninguém quer né?!!!
Por que será?

Pimenta nos olhos dos outros é refresco....

muito bom e mais uma vez meus parabéns